terça-feira, 28 de setembro de 2010

Em busca da criatividade perdida

Raramente começo um texto fazendo ressalvas. Neste caso, é mais do que importante. O título “Em busca da criatividade perdida” não quer dizer que perdi minha criatividade e agora quero recuperá-la. Pelo contrário, eu nunca tive criatividade, então estou procurando por alguma que alguém tenha perdido. E não pretendo devolver.

Feitas as considerações iniciais, todos sabem como é difícil começar um texto. Às vezes temos tantas idéias, tantos conceitos, mas, sabe-se lá porque, eles ficam aprisionados dentro de nós, trancados atrás de uma porta chamada “primeiro parágrafo”. Depois de aberta, as idéias costumam fluir com naturalidade.

Mas isso é pra quem tem idéias. E o que eu mais queria era ter uma idéia. Mas não uma idéia qualquer. “A idéia”. Criativa e original. Encantadora e arrebatadora, o que tá difícil. Muito difícil.

Eu já publiquei... (deixa eu ir no blog contar...) 11 textos. 12 com este. Escritos e salvos no computador pessoal, algo em torno de 130 (muitos dos quais nunca serão publicados, asseguro). E até hoje, nada. Nenhum clarão, nenhum súbito momento de inspiração divina, de elevação espiritual. Nada.

E é exatamente isso que eu espero. Um dia (eu ainda sonho que esse dia vai chegar) vou sentir uma profunda inspiração e, quase que possuído por uma genialidade cósmica, vou arder em uma febre onívora de observação (xiii, Marquinhos...) e vou conceber minha obra prima. E vou poder enfim sentir o deleite sagrado dos deuses, o regozijo supremo.

Tenho certeza que quando Mozart compôs sua obra prima, Don Giovanni, ele deve ter curtido muito o seu momento, concluindo: “eu sou foda!”. Einstein, depois da teoria da relatividade, deve ter acendido um belo charuto, tomado uma taça de vinho, e pensado: “pobres mortais...”. O que eles tinham em comum? Eram gênios, e sabiam disso. E sabiam também que suas obras eram fantásticas. Eles riam por dentro, de tanta felicidade.

E eu? Eu já estou cansado das vozes que eu ouço. Elas não me sopram nenhuma coisa interessante, digna de registro. Conversando com um garfo, ontem, percebi que estou cada vez mais longe do que nunca de ter uma idéia genial. O que também deve ser consenso entre vocês, leitores. Mas teimoso como sou, eu ainda não desisti de encontrar, perdida por aí, a criatividade perdida de alguém.

quinta-feira, 23 de setembro de 2010

Deuses do nada

Somos animais. Mamíferos, primatas e hominídeos. Mas não se preocupem, biologia não é o foco desta nova divagação etílica. Tá, tudo bem, eu confesso, não estou alcoolizado. Mas seria uma boa desculpa para justificar o que vai acabar surgindo nas próximas linhas. Se é que tem desculpa...

Pluricelulares. Esta é a última expressão que empresto da biologia. Somos animais compostos por cerca de 50 trilhões de células (obrigado Google) que nos dão essa aparência, essa unidade.

Eu disse... unidade?

Ora, cada pequena célula é um micro-organismo vivo que pode, inclusive, viver e se reproduzir fora do corpo humano. Nós somos um conjunto de trilhões de células vivendo em uma organizada forma de sociedade microscópica.

De onde vem então essa unidade, essa individualidade que nos permite julgar os verbos na primeira pessoa? Essa noção de individualidade não reside em nenhuma das nossas células. Não há um “eu” biológico ou celular dentro de você. Há apenas um conjunto de células. Quem sou “eu”? Não seria mais correto dizer “nós”?

Quando usamos o “eu”, não estamos dizendo, “meus pés gostam de chinelos” ou “meu cérebro não gosta de matemática”. Estamos dizendo apenas “eu”. Mas não existe esse “eu”. Existe apenas o “nós”.

Tá, eu sei, soaria estranho dizer “nós, membros da Republica Pluricelular Tassio Denker, queremos um Big Mac. Coca-Cola Zero, por favor.”

Questionar não é crime. Sempre me pego pensando nessas questões fundamentais acerca da existência humana (fundamentais?! existência humana?! WTF?!). O problema realmente começa quando eu quero responder essas questões.

Aconselho, portanto, que parem por aqui.

Bem, já que vocês insistem, agora é por sua conta e risco.

Milhares de pequenos seres vivos, que vivem em função de um “ser maior”, que não existe individualmente, senão no conjunto de todos eles... Um ser superior, que comanda e condiciona estes pequenos seres vivos... Um ente que não passa de uma “consciência” maior que seus pequenos seres...

Seríamos um.... (rufar de tambores)... Deus?

Sempre achei que eu era especial (excepcional talvez?), mas um Deus? Somos deuses de nós mesmos? Deuses do... nada?

Segundos antes de publicar esse texto me veio outra idéia, providencial e que pode inclusive amenizar a minha barra: seria esta unidade o conceito de alma? (ufa!)

Tá, tomei muito do seu tempo, eu sei. Mas nunca prometi algo bom mesmo. Eu e minhas teorias furadas. Aliás, eu já comentei com vocês sobre a minha teoria acerca da origem do universo?

sexta-feira, 17 de setembro de 2010

Um dedinho de prosa

Como você se sente quando suas potencialidades não correspondem às suas expectativas?

Adoro a poesia e admiro quem tem o dom e a facilidade de brincar com os sentimentos e as palavras. Eu queria ser poeta, dominar essa arte com leveza e elegância.

Eu? Eu escrevo. Tento transformar sentimentos em palavras, sensações em verbetes, pensamentos em vocábulos. Mas, infelizmente, fui condenado a essa forma de prosa, prosaica, lugar comum. Tenho o espírito triste, um olhar melancólico. Sinto que tenho alma de poeta. Tão somente a alma.

Minha criatividade e o meu intelecto são absolutamente incapazes de tratar as palavras com carinho. Surro-as, despejo-as, sem paixão, sem emoção. Desordenadas e caóticas. Apenas empilhadas, parágrafo após parágrafo.

Que emoção seria eu capaz de despertar, de instigar, se quando muito trago nos meus textos um pouco de razão?

O poeta não faz apenas poesia; dá som às palavras, cor aos sentimentos, aroma aos trocadilhos. Eu faço cinema mudo, preto-e-branco, construo jardins sem flores. É como se eu tivesse nascido para voar, mas minhas asas me foram negadas.

sexta-feira, 10 de setembro de 2010

Felicidade a conta-gotas

Já disse uma vez Sartre, filósofo existencialista: “O homem está condenado a ser livre”.

Tá certo, eu sei, essas expressões, esses filósofos, palavras difíceis, paradigmas e paradoxos que nos deixam tontos... fica frio, não vamos viajar nessas loucuras.

Tudo começou esses dias atrás, quando alguém, no twitter, se perguntou se a felicidade seria um estado pleno e absoluto que podemos alcançar, ou então a vida que é feita de momentos felizes e outros não, que se alternam para sempre. Depois de ler tal questionamento lá estava eu, novamente, refletindo.

Refletindo porque, de certa forma, eu não estava chegando a nenhuma conclusão inédita. Era apenas um reflexo de uma idéia já bem sedimentada.

Cortando um pouco o caminho, posso adiantar que eu jogo no segundo time. Acho que até podemos nos definir como pessoas felizes ou infelizes, mas o que nos dá essa autoridade é um conjunto de momentos que vivenciamos. É certo que dia estamos alegres, felizes, outros nem tanto.

Penso isto porque, de certa forma, creio que nenhum ser humano é um adjetivo. Somos humanos, e só. Vivemos um dia após o outro e, a cada um desses dias, fazemos inúmeras escolhas e projetos que nos permitimos nos rotular. Fulano é medroso, beltrano é sincero, sicrano é invejoso.

O que eu quero dizer é que, ninguém é corajoso, medroso, falso ou sincero. Fazemos escolhas corajosas, medrosas, falsas ou sinceras. A cada novo desafio, nos comportamos de acordo com nossos sentimentos.

Ninguém nasce corajoso ou covarde. As pessoas nascem humanas e traçam seus próprios caminhos. Traçam seus próprios projetos de vida, baseadas em suas escolhas. Algumas dessas escolhas sim, podem ser corajosas ou covardes.

Nós humanos somos, portanto, apenas o projeto de nós mesmos. Mas não aquele projeto ideal que traçamos com base nas nossas potencialidades. Nós somos aquele projeto que estamos executando, dia após dia, nas pequenas escolhas que fazemos.

E eu? Eu sou quem eu decido ser... às vezes medroso, às vezes sincero, às vezes culpado. Sou imperfeito, como as escolhas que faço. Mas o importante é que eu sou meu, ou seja, senhor destas escolhas.

E o que isso tem a ver com a felicidade? Não sei. Talvez porque essas nossas pequenas escolhas reflitam sobre nosso estado de espírito, nos fazendo sofrer, nos fazendo sorrir. Talvez a infelicidade venha quando nos deparamos com as falhas do nosso projeto.

Acho que, no fundo, felicidade tem a ver com essa liberdade de escolha. Essas pequenas escolhas do dia-a-dia, a felicidade a conta-gotas. Liberdade essa citada na frase do primeiro parágrafo. Mas agora, se isso tudo foi um pouco chato, peço desculpas. É que isso é existencialismo.

sexta-feira, 3 de setembro de 2010

Preguiçoso, eu?

Preguiçoso não seria bem a palavra certa para me descrever. Tá certo, eu concordo que às vezes, “às vezes”, eu passo essa impressão. Mas talvez a palavra inerte seja mais cabível para descrever meu peculiar jeito de ser. E inerte não é necessariamente preguiçoso, mas simplesmente alguém que age de acordo com as leis. A primeira lei de Newton, mais especificamente.

Não é fácil por essa massa toda em movimento. Estou em repouso e, portanto, como já “legislou” Newton, tendo a permanecer em repouso. Eu é que não quero ser taxado de insurgente, de rebelde ou de caudilho da física clássica. Prefiro à obediência.

Este estado de repouso, por sua vez, de aparente inércia, não se encerra, como pensam muitos, na ausência de atividades. Pelo contrário. É no repouso e no silêncio que exerço uma das atividades mais fascinantes que podemos desenvolver: a observação.

A observação é uma atividade genuinamente passiva. Olha aí uma antítese interessante... (e olhe eu aí divagando e perdendo o foco...)

Contemplativo poderia descrever o meu semblante em grande parte do tempo. E é engraçado como essa aparência de calmaria esconde uma grande inquietação causada pelo borbulho de idéias, constatações, juízos e confusões que se desenrolam o tempo todo dentro de mim.

Claro que 99% de tudo que eu penso eu descarto. Minha “lixeira” mental vive precisando “esvaziar”. Talvez sejam tantos sentimentos, tantos pensamentos que a “máquina trava”, e fico assim, com essa cara de bobo olhando pro vazio. Os pensamentos que sobram, de vez em quando, posto nesse blog.

Em fim, dei voltas, enrolei, gastei meu verbo e o seu tempo tentando te convencer que:

Preguiçoso não, observador!