sábado, 18 de julho de 2026
Pink & Floid & Ross year
domingo, 12 de julho de 2026
Náufrago
Hoje é domingo, 12 de julho de 2026 — pelo menos para mim, enquanto escrevo este pequeno “diário”. Para quem eventualmente se deparar com este texto, porém, pode ser uma quarta-feira qualquer, de qualquer mês ou ano.
Já disse, aqui mesmo, que meus textos são como pequenas mensagens engarrafadas que lanço neste imenso e já poluído oceano que chamamos de internet. Na época, meados de 2010, já havia muita sujeira. Mas nada se compara ao meu “hoje”, que presumo ser ainda pior no seu “hoje”, caso esse dia chegue. Atualmente, além do lixo humano, há também muito entulho criado em escala industrial pela inteligência artificial.
Então eu presumo que fique cada vez mais raro ter uma garrafa içada, o que me transmite a ideia de estar falando sozinho. Bem, nada demais. Sou adepto do hábito de falar comigo mesmo; por que não escrever também para mim?
Ainda mais quando não se tem ninguém presente para compartilhar ideias ou mesmo pequenas amenidades de um dia comum. Ou melhor, de aparência externa comum. Então, cá estou, olhando para meu reflexo nestes caracteres. E nele vejo o rosto da solidão.
Não é irônico falar de solidão para si mesmo?
Ontem foi sábado. Passei o dia inteiro sozinho em casa, sem trocar palavras com ninguém, exceto pela fria e nociva tela do celular. Hoje, a mesma coisa, senão pela expectativa (frustrada, que sina) de uma visita prometida que não veio. Mas não é novidade. Outras pessoas também me deixaram a promessa de "dar uma passadinha" e não cumpriram.
Mas talvez eu entenda; eu ter que passar dois dias inteiros sozinho comigo me faz ver que é um programa realmente desagradável e, agora, começo a entender a ausência. Eu achava que era capaz de esconder estas minhas fraturas existenciais mas cada vez mais percebo que minha autocomiseração é evidente e, é claro, isso afasta as pessoas. Se eu pudesse, eu também me afastaria de mim e iria viver dentro de um parêntese existencial.
Mais digno do que querer alguém perto por obrigação ou pena.
Mas nada disso é possível. Então, que venha a segunda-feira e suas rotinas burocráticas para me salvar de mim mesmo.
sábado, 11 de julho de 2026
HMS Erebus
Uma temática comum nos meus textos é tentar (me) responder por que é que eu (ainda) escrevo. Por que manter um blog ou um perfil no Medium para publicar textos que não serão lidos por praticamente ninguém? Ora, isso é relativamente fácil de responder: porque eu preciso.
Agora vem a parte mais complexa que é destrinchar essa resposta. Eu preciso porque eu escrevo, antes de qualquer público, para mim mesmo. Talvez eu pudesse ter respondido que eu escrevo para mim e, na explicação, trazer o ponto da necessidade.
Eu realmente não sei se a ordem dos fatores altera o resultado. Mas sei que estão intimamente ligados entre si.
Meus textos são, antes de tudo, uma válvula de escape. Uma leitura (que não precisa nem ser atenta) vai notar que escrevo sobre meus sentimentos mais sombrios, minhas dores mais lacerantes. Ansiedade, frustração, culpa ou remorso. Mas a verdade é que eu não escrevo, eu os ponho pra fora.
São sentimentos que brotam e se acumulam em meu ser e sou incapaz de suportar, de aprisionar dentro de mim sem que me destruam por completo. É a minha terapia; é como eu me livro, ao menos temporariamente, deles.
É por isso que não espero que haja leitores, senão aqueles poucos que, como eu, se sentem atraídos ou então conectados com essas sensações. Expiar as dores espiando as dores. Alheias.
Escrever, neste estado, é jogar pra fora toda uma gama de sentimentos que entorpecem o meu ser, que sujam a minha alma, que tornam opaca a minha existência. Aos poucos, elas vão saindo e a luz vai encontrando espaço para retornar.
E quando eu termino um desses textos, me sinto vazio. E entre o vazio e estar cheio de dores, o nada se torna agradável. É trégua. Ainda que seja apenas uma sensação efêmera, pois logo essas dores começam a me inundar novamente.
Ainda não encontrei o buraco em mim por onde esse sofrimento me invade, mas continuo esvaziando esta nau com meus baldes e canecas, textos e palavras. E eu sou o capitão desta embarcação, ou a salvo, ou afundo com ela.
Entende agora?
sexta-feira, 10 de julho de 2026
A estação
E eu só estou falando disso porque, nesse filme, há uma passagem em que Michael Corleone fala sobre ter os amigos perto e os inimigos mais perto ainda. E essa ideia — maquiavélica, por sinal — parece estar sendo levada muito a sério por este que vos escreve. Quem, neste mundo, é mais próximo de mim do que eu mesmo?
Sim, sou meu pior inimigo.
Ninguém é capaz de me destruir com tanta facilidade quanto eu mesmo. Todos nós sabemos que os piores golpes e as piores traições sempre vêm dos amigos mais próximos e, neste caso, não há alguém que ocupe essa posição melhor que eu.
Sou capaz de criar as maiores expectativas, como subir ao Everest, mas morrer com elas no trajeto, seja na ida ou então na volta — o que traz até um toque refinado de sarcasmo que só a vida nos ensina. Ou deveria ensinar. No alto dos meus 45 anos (bem alto mesmo, quase virando 46), eu ainda não aprendi a lidar com a ansiedade e as expectativas.
Uma coisa leva a outra. Ansiedade à expectativa e expectativa à ansiedade, num ciclo vicioso de retroalimentação.
As expectativas, por si só, não são sempre ruins; são necessárias e muitas vezes combustível para sonhar, para viver. Já a ansiedade também é um combustível, mas de uma volatilidade e capacidade de combustão que queima até a alma, inclusive daqueles que não creem em almas.
Ansiedade vicia. Toma conta do seu ser e consome o seu querer, o seu desejar. Te faz ser uma pessoa incapaz de ouvir a razão e aqueles que te amam. Ela pega na sua mão e te faz ser odiado por todos, inclusive por você mesmo. É, no momento, eu me odeio.
Eu não magoo só as pessoas que eu amo, eu magoo a mim mesmo. Porque uma coisa leva à outra. Amar e ser amado, odiar e ser odiado. Tudo isso acontecendo às cegas, à revelia do seu próprio saber. Do meu saber, porque os outros veem. Quem não enxerga sou eu.
Aos poucos, cada vez mais solitário. Mas não sozinho, porque tenho sempre a minha companhia. "Antes só do que mal acompanhado", eu defendo. Mas como se defender, como se desvencilhar de si mesmo? Um a um, todos se vão. Eu fico, como o guarda da estação de trem, que nunca embarca em busca da própria felicidade porque tem outros compromissos.
Eu queria enviar esse meu eu para longe. Para nunca mais me machucar. Para nunca mais deixar que me machuquem. Mas eu não consigo.
terça-feira, 30 de junho de 2026
Quando "você" se aplica a "eu"
Nem pense em entrar, vozes na minha cabeça.Eu tenho arranhões por todos os meus braços, um para cada dia desde que eu desabei.Eu fiz o que era preciso, se havia uma razão, era você.
Eu fiz o que era preciso, se havia uma razão, ah, não havia razão não.E se há algo que você queira fazer, apenas me deixe continuar pondo a culpa em você.
segunda-feira, 29 de junho de 2026
Ser só ou só ser?
Sempre gostei de ser subestimado porque, de certa forma, essa sensação era um impulso que motivava superar expectativas. O que eu nunca curti muito foi ser superestimado. Especialmente quando EU sou responsável pelas minhas próprias expectativas. Quando eu mesmo me coloco num patamar cuja queda dói, e muito.
Cá, eu, aqui, de novo. Triste, solitário e não menos responsável por tudo de ruim que me cerca. Sou culpado. Assim como sou culpado de acreditar ser uma boa companhia. Sou não, nem para mim mesmo.
Porque a solidão de verdade não é estar sozinho; eu sempre gostei de estar sozinho. Solidão é sentir-se abandonado em sua própria dor. Não por quem machucamos, mas por todos aqueles que gostamos de compartilhar o estar, o ser. Sentir falta de quem sinta a nossa ausência. Mas de quem sente de forma sincera, não meramente protocolar.
Eu já me deparei com o "luto protocolar" mais vezes, nessa vida, do que eu gostaria e, por questões sentimentais e nem um pouco racionais, sinto paralelos. Na verdade, eu sinto muito, sinto demais. Acho que sinto até pelos que não sentem. Não me sentem. Sinto-me vazio e me pergunto: será que eu, que me conheço tão bem, me importaria comigo mesmo?
Sinceramente? Eu tenho medo da minha própria resposta.
terça-feira, 25 de outubro de 2022
À Tout le Monde
Aos poucos, vou morrendo por dentro. Cada dia é menos um dia, numa conta cujo cronômetro cego nos dá uma falta de ar e um desespero iminente. Essa sensação de impotência perante uma sociedade e uma estrutura que só servem para nos explorar e nos humilhar exige uma resiliência que excede minhas capacidades.
Nada resta, senão se entregar ao doce beijo etílico da cevada e ao sono que nunca restaura nem descansa. Cada dia durmo mais, cada dia mais cansado, mais olheiras. Até quando?
Desabafo, aqui, em silêncio. Porque as redes sociais são barulhentas até demais. Este canto é como um chalé com sua lareira, em um lago na Patagônia. Aconchegante e silencioso. Solitário e primitivo. Calor em meio ao frio. Uma pena que só venha para cá em dias como estes.
quarta-feira, 30 de setembro de 2020
O abismo de Nietzsche
Sumo. De tempos em tempos. Mas como todo bom filho pródigo, acabo voltando. Não sei por quê; só sei que é este cantinho virtual que me atrai em determinados momentos. Talvez seja a paz. Ninguém mais lê ou se interessa por blogs, o que, de certa forma, me faz sentir mais confortável em expor meus sentimentos aqui.
Como alguém que conversa com um amigo, numa mesa de bar. É diferente de divagar em redes sociais, ou nos vídeos do YouTube. É mais... intimista. Sim. Intimista. Me sinto bem aqui. Tão confortável que só aqui tenho capacidade de expor minha tristeza.
É um momento? Pode ser. Mas pode ser também outra coisa. Não sei. Tenho atravessado um vazio existencial há alguns anos, desde que me vi tragado por uma rotina burocrática, inóspita e insuportável dentro do meu serviço.
Pode soar repetitivo — bem, não sei se já disse isso em algum lugar, mas certamente já disse a mim mesmo inúmeras vezes: me sinto um peso tão morto que, morto, valho o mesmo que vivo. Sem sofrer. Porque deixo uma tristeza, mas passageira. Uma saudade, mas efêmera. E, por outro lado, deixo uma pensão, a mesma renda que tenho hoje, sem precisar ser. Nem estar.
Tem horas que penso que até mesmo a minha ausência possa servir de exemplo mais útil que a minha presença anestesiada, entorpecida, vazia e angustiante. Registro aqui aquilo que já me faz mal externar aos próximos. Porque isso as irrita. Porque isso traz reações de repulsa, de menosprezo. Vivemos num mundo sem paciência. Num mundo onde qualquer qualidade ou qualquer boa ação é percebida como dever, e nossas omissões, imperfeições e erros são intoleráveis.
Tô cansado. Sem esperança. Sem perspectiva de mudar de vida. Refém da minha estabilidade, como um pássaro aprisionado em uma gaiola. Pássaro que, ainda que receba ração todo dia, não tem mais a alegria para cantar.
terça-feira, 18 de julho de 2017
Divagar ou Divulgar?
sexta-feira, 24 de março de 2017
Meu pai, meu herói!
segunda-feira, 8 de agosto de 2016
Epifania
sexta-feira, 10 de junho de 2016
Vivendo e morrendo
segunda-feira, 1 de fevereiro de 2016
Apoptose, autocompreensão e autofagia
domingo, 22 de novembro de 2015
Distopia e utopia
sexta-feira, 20 de novembro de 2015
Crux Ansata
quarta-feira, 18 de novembro de 2015
Asilo
segunda-feira, 16 de novembro de 2015
Diário
quinta-feira, 12 de novembro de 2015
Empatia
Eu sinto muito
quinta-feira, 15 de outubro de 2015
Maior que eu
Aquela sensação de morte iminente passou. Sei que ainda posso morrer, a qualquer instante. Mas se isso vier a ocorrer, que minhas palavras sejam a cristalização dos sentimentos que eu um dia nutri, por aqueles que um dia eu amei.
sexta-feira, 4 de setembro de 2015
Até quando?
Existe, sim, metamorfose no ser humano, e ela vem com os filhos.
Essa semana uma foto de um garoto que faleceu afogado durante uma tentativa de migração ilegal rodou o mundo, a internet e as redes sociais. E eu não consigo olhar pra ela. Eu a vi. Eu li a notícia, mas a imagem me causa náusea, mal-estar. O pobre garoto deve ter aproximadamente a idade e o tamanho do meu filho, hoje.
Por que as pessoas precisam se mudar para estarem próximas dos recursos necessários? Por que não levamos os recursos à estas pessoas? "Ser" sempre foi um objeto de sofrimento, com tanto preconceito e desigualdade. E "estar" também parece sofrer com a crise. Sei que existem questões como fronteiras e soberania que precisariam ser revisadas. Mas "ser" e "estar" não deveriam ser tão complexos, tão polêmicos. Que direito é esse que invocamos ter sobre a superfície do nosso mundo?
Isto não me deixa em paz. Não me deixa pensar com clareza. Não me deixa estar bem. Este pequeno anjo caído na praia é a imagem mais sutil, delicada e ao mesmo tempo aterrorizante da desumanidade que vigora neste início de século XXI.
Não dá mais; a vontade é desistir da humanidade, desistir da internet, das redes sociais, dos noticiários. Alienar-se em prol da saúde mental. Amar mais, sofrer menos. Maldita empatia, maldita compaixão. Me coloco no lugar do pai que perdeu dois filhos e a esposa. Esse hábito de se torturar se acentuou com a paternidade. Antes, quando via documentários sobre a vida selvagem, torcia pelos leões e guepardos. Hoje, torço pelos gnus e pelos antílopes. Não abro mais qualquer notícia. Não aceito mais ver qualquer imagem.
Não sou mais a mesma pessoa. E não sei se ainda me considero "humano", pois se o seu conceito for se pautar por uma média do que são as pessoas, eu tenho a impressão de que estou bem à margem do que o mundo é.
Imagine, de John Lennon, talvez tenha dito muito do que eu gostaria de dizer, aqui, neste desabafo. Você pode revê-lo no Youtube. Ou fazer um minuto de silêncio, para refletir.
sexta-feira, 28 de agosto de 2015
Errar é desumano!
quinta-feira, 9 de julho de 2015
Errar é humano?
Humanos matam, os animais também.
Humanos roubam, os animais também.
Humanos estupram, os animais também.
Mas só o humano erra
Porque só o humano julga.
sexta-feira, 12 de junho de 2015
Bem-vindos à imortalidade!
sexta-feira, 22 de maio de 2015
Homenagem - Rubens Luiz Sartori
A Assessoria de Imprensa do Ministério Público emitiu nota da defesa/homenagem.
sexta-feira, 8 de maio de 2015
Política: razão ou fé?
sexta-feira, 17 de abril de 2015
Majorar a menoridade: Uma antítese social
segunda-feira, 13 de abril de 2015
Laços & Nós
Hoje é um dia muito triste, pois mais um pedacinho de mim foi embora. Algo aqui dentro me impele a tentar transformar essa tristeza em força, a força em palavras e as palavras em um desabafo, numa espécie de adeus, ou "até mais".
Quase todos os dias fazemos novos laços, mas os nós não são feitos assim, de uma hora pra outra. A nossa história, nosso amor, nossa amizade e todo aquele carinho são os contornos e as voltas deste laço que nos ata.