segunda-feira, 29 de junho de 2026

Ser só ou só ser?

Sempre gostei de ser subestimado porque, de certa forma, essa sensação era um impulso que motivava superar expectativas. O que eu nunca curti muito foi ser superestimado. Especialmente quando EU sou responsável pela minhas próprias expectativas. Quando eu mesmo me coloco num patamar cuja queda dói, e muito.

Cá, eu, aqui, de novo. Triste, solitário e não menos responsável por tudo de ruim que me cerca. Sou culpado. Assim como sou culpado de acreditar ser uma boa companhia. Sou não, nem para mim mesmo.

Porque a solidão de verdade não é estar sozinho; eu sempre gostei de estar sozinho. Solidão é sentir-se abandonado em sua própria dor. Não por quem machucamos, mas por todos àqueles que gostamos de compartilhar o estar, o ser. Sentir falta de quem sinta a nossa ausência. Mas de quem sente de forma sincera, não meramente protocolar. 

Eu já me deparei com o "luto protocolar" mais vezes, nessa vida, do que eu gostaria e, por questões sentimentais e nem um pouco racionais, sinto paralelos. Na verdade, eu sinto muito, sinto demais. Acho que sinto até pelos que não sentem. Não me sentem. Sinto-me vazio e me pergunto: será que eu, que me conheço tão bem, me importaria comigo mesmo?

Sinceramente? Eu tenho medo da minha própria resposta.