É tarde da noite e a insônia é minha única companhia, além de mim. É algo novo, não dormir. Perdi o controle sobre um dos poucos prazeres que me restavam, senão o único. E quando durmo, não descanso. Uma pequena sombra paira nos meus pensamentos durante os dias, mas quando chega a noite, ela se agiganta, levando consigo meu sono e minha paz.
Enquanto todos se reúnem, comemoram e brindam, eu blindo. Tento me proteger da felicidade alheia que tanto me faz falta. Mas eu não consigo. Então eu tento encontrar um pouco de alívio vendo onde essas palavras podem me levar, mas elas não se mostram sinceras. Meus textos, com sua tristeza insossa, vaga e repetitiva são eufemismos para a dor que ecoa no vazio da minha existência.
Eu queria tanto estar presente que me afoguei esperando por um convite. Mas agora tenho medo. Medo de ser quem eu sou. Acho que a solidão é como um câncer, as chances de vencê-la são mais fortes no início. Onde estavam todos quando eu mais precisei? Ah, sim, reunidos e festejando.
O inferno sou eu, não os outros. Sartre estava errado.
Durante o dia tento me ocupar e, em alguns raros momentos, até parece que as coisas vão melhorar. Mas quando chega a noite e a sombra se liberta, só vejo dor. Pra que continuar? Por que postergar? Por que esperar dia após dia por novas frustrações, novas expectativas quebradas, novas mágoas? Magoar e ser magoado, sofrer e causar sofrimento.
A vida segue, mas só pra quem vive.
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