Não é estranho que as pessoas se preocupem com aquilo que pensamos? Falo isso num nível de querer tolher ou até mesmo controlar o que alguém possa pensar ou sentir. Ou desejar. Como é que eu vou exercer algum controle sobre o que outra pessoa pensa ou deseja se eu mesmo sou incapaz de controlar meus próprios pensamentos ou desejos?
Isso não afasta, por outro lado, a responsabilidade pelo que fazemos diante das nossas inspirações interiores. Somos, sempre, responsáveis por tudo aquilo que conscientemente materializamos. Muitas vezes não somos fortes o suficiente para não sucumbir aos nossos mais íntimos desejos. Mas força e responsabilidade são grandezas que não se comunicam.
No Direito, quando falamos em responsabilidade não falamos em sermos prudentes e tudo aquilo que envolve "ter juízo". Não. Para o direito, responsabilidade diz respeito a arcar com as consequências dos erros que você comete. Ser responsável, para a lei, é ser juridicamente capaz de arcar com as consequências de um ato ilícito.
Na vida somos responsáveis pelos nossos desvios, pelas nossas imoralidades. Cabe a nós, a sós, pagar pelos erros. Na solidão do eu, no vazio da própria existência. Não é apenas o Direito que vive de julgamentos, a vida é um julgar-se e estar presente à corte. Eu? Sou réu confesso.
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