Hoje é domingo, 12 de julho de 2026. Pelo menos para mim, enquanto escrevo este pequeno "diário", mas pode ser uma quarta-feira qualquer de qualquer mês ou ano, para quem eventualmente se deparar com este texto.
Já disse, aqui mesmo, que meus textos são como pequenas mensagens engarrafadas que lanço neste imenso e já poluído oceano que chamamos de internet. Na época, meados de 2010, já havia muita sujeira. Mas nada se compara ao meu "hoje" (que presumo ser ainda pior no seu "hoje", se é que esse dia vai chegar) em que, além do lixo humano, há também muito entulho criado pela inteligência artificial em sua escala industrial.
Então eu presumo que fique cada vez mais raro ter uma garrafa içada, o que me transmite a ideia de estar falando sozinho. Bem, nada demais, sou adepto do hábito de falar comigo mesmo, por que não também escrever para mim?
Ainda mais quando não se tem ninguém presente para compartilhar ideias ou mesmo pequenas amenidades de um dia comum. Ou melhor, de aparência externa comum. Então, cá estou, olhando para meu reflexo nestes caracteres. E nele vejo o rosto da solidão.
Não é irônico falar de solidão para si mesmo?
Ontem foi sábado. Passei o dia inteiro sozinho em casa, sem trocar palavras com ninguém, exceto pela fria e nociva tela do celular. Hoje, a mesma coisa, senão pela expectativa (frustrada, que sina) de uma visita prometida que não veio. Mas não é novidade. Outras pessoas também me deixaram a promessa de "dar uma passadinha" e não cumpriram.
Mas talvez eu entenda; eu ter que passar dois dias inteiros sozinho comigo me faz ver que é um programa realmente desagradável e, agora, começo a entender a ausência. Eu achava que era capaz de esconder estas minhas fraturas existenciais mas cada vez mais percebo que minha autocomiseração é evidente e, é claro, isso afasta as pessoas. Se eu pudesse, eu também me afastaria de mim e iria viver dentro de um parêntese existencial.
Mais digno do que manter-se perto por obrigação ou pena.
Mas nada disso é possível. Então, que venha a segunda-feira e suas rotinas burocráticas para me salvar de mim mesmo.
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